AV. ASSIS BRASIL, 8787, SARANDI, PORTO ALEGRE-RS | CENTRAL DE ATENDIMENTO 0800 51 8555 

Você está aqui

Instituto do Couro atrai estudantes do mundo inteiro

Inovação e Tecnologia

Chineses, ingleses, argentinos, colombianos, bolivianos, uruguaios, mexicanos e estudantes de outras nacionalidades procuram no Vale dos Sinos, um centro de formação e pesquisa na área do couro. O Instituto Senai de Tecnologia do Couro e Meio Ambiente, em Estância Velha, tem uma estrutura única no mundo que conta com serviços laboratoriais e de consultoria, além da escola que capacita trabalhadores para o segmento industrial. Todos os anos, a “Escola”, como é chamada na cidade, recebe estudantes de países do mundo todo. “Este mês, três tunisianos se matricularam para cursos”, conta a gerente Darlene Rodrigues. Ela acrescenta que além desta formação - cerca de 300 estrangeiros já foram capacitados - o instituto também exporta talentos. “Técnicos formados aqui trabalham hoje na Índia, China, Holanda, Israel e em vários países da América Latina”, comenta. 

Durante a 42ª Fimec (Feira Internacional de Couros, Produtos Químicos, Componentes, Máquinas e Equipamentos para Calçados e Curtumes), realizada de 6 a 8 de março em Novo Hamburgo, foram realizadas visitas técnicas, promovidas pela Abrameq, ao instituto que tem quatro laboratórios que realizam análises químicas, um de classificação de resíduos sólidos e um de ecotoxicidade, além da Central Analítica. O espaço conta com um laboratório com seis fulões exclusivos para o desenvolvimento de trabalhos de pesquisa e inovação para a indústria do couro. O presidente da FIERGS, Gilberto Porcello Petry, destaca que a unidade parte agora para internacionalizar também seus serviços laboratoriais. “Nossos laboratórios são referência na área do couro e podem concorrer com qualquer lugar do mundo”, observa Petry. A confiabilidade e agilidade são marcas desses serviços, segundo Gustavo Fuga, do Fuga Couros S/A. Ele relata que precisou usar um laboratório inglês para um serviço, a pedido do cliente.  Ao receber o resultado, Fuga duvidou e refez o serviço no instituto. Com o laudo em mãos, questionou o serviço do inglês e recebeu um pedido de desculpas oficial, além do aceite do cliente com o resultado do instituto. “O instituto deveria ser ainda mais usado, pois tem uma grande capacidade de tirar dúvidas”, salienta.

Em 52 anos, a escola já formou mais de 2.600 trabalhadores. “Eu sou formado em 1980 pela escola do Senai e hoje como consultor já usei desde os serviços de laboratório, consultoria, cursos na empresa e na escola e treinamento de PCDs”, explica  Nilton Rodrigues Rosa consultor técnico da Durli Couros. Ele afirma que o Instituto está altamente preparado para atender o setor. “Tínhamos muitos problemas com o amadorismo das empresas, hoje a profissionalização passa pelo instituto”, avalia. “Além da escola, que capacita os trabalhadores, a unidade possibilita a evolução da tecnologia às empresas”, ressalta Rosa.  

André Stoffel, da Getti Produtos Químicos, acredita que as “cabeças pensantes do setor nasceram na escola. O Instituto é a base, o alicerce que fez este setor”. Conforme André, somente na sua empresa, 13 pessoas foram formadas no Senai. “Deveria haver uma sinergia maior com a escola. O Brasil carece de pesquisa, e o instituto conta com uma estrutura que pode fazer essa diferença e está disponível para todos”, acrescenta.

O presidente da Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul (AICSul),  Jair Krummenauer,  ressalta a importância do instituto também na questão da NR 12. “O equipamento do instituto é moderno e com toda a segurança. O empresário que não reinveste, não cresce e a tendência é desaparecer”,  diz. O investimento do instituto resultou em um curtume automatizado com equipamentos dentro das normas regulamentadoras.  O consultor Fernando Richter até o ano passado era sócio da Tanquímica Indústria e Comércio, com sede em Laranjal Paulista-SP.  Além de formação de profissionais, Richter explica que usava muito o instituto nos serviços laboratoriais. Análises de resistência do couro, substâncias restritas e consultorias são alguns exemplos do que ele costumava contratar. “O suporte técnico do instituto é muito importante para o setor, inclusive de tecnologias limpas”, coloca. Neste sentido, as consultorias são outro quesito muito usado não só pelo setor de couro. Yara Osterkamp é gerente de qualidade e meio ambiente da Piá, de Nova Petrópolis, e  usou a consultoria do Instituto para adequação a ISO 14001. “Está sendo muito positivo pois com a ajuda dos profissionais estamos conseguindo uma maior conscientização e envolvimento de todos os setores”, esclarece Yara. “Quem vive isto na indústria sabe a importância de ter um facilitador no processo, que faz com que  a gente alcance a meta antes do tempo previsto”, enfatiza.


Crédito foto: Dudu Leal