O auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Marcos Flores, apresentou uma visão ampla da reforma tributária do consumo, destacando a evolução histórica do IVA no Brasil e os problemas estruturais do sistema atual, como fragmentação legislativa e complexidade operacional. Ele enfatizou as inovações centrais da reforma – especialmente o crédito amplo, o split payment, o recolhimento pela adquirente e a apuração assistida — e explicou que essas medidas alinham o país às recomendações internacionais da OCDE.
Para o conselheiro do Contec e professor da PUCRS, Paulo Caliendo, o novo sistema corrige distorções, como paraísos fiscais e dificuldades de fiscalização em pequenos municípios, além de ampliar a arrecadação por meio da tributação no destino e do fim de incentivos que fragmentavam o federalismo. Embora reconheça que a transição será complexa e exigirá atenção à regulamentação, alerta para riscos como burocracia excessiva, impacto do imposto seletivo e desafios às indústrias. “Teremos um período de muita dificuldade na transição, que será duríssima. No primeiro momento, nós vamos precisar muito de consultoria, de assessoria, de atenção, porque será, nada menos, a maior mudança dos últimos anos”, destacou. Ele concluiu reforçando que a reforma implica a maior mudança em 60 anos, exigindo acompanhamento rigoroso do cronograma, adaptação empresarial e gestão cuidadosa do fluxo de caixa.
Por fim, o sócio-diretor de Impostos da KPMG, Adriano Rosa, enfatizou que a reforma não é apenas um ajuste fiscal, mas uma mudança estrutural que impacta caixa, margem, preços, revisão de contratos, fornecedores e sistemas internos. Ele alertou que, sem o engajamento direto de CEOs, CFOs e lideranças administrativas, a reforma não terá êxito. "É uma transformação de negócio. Ela precisa estar na pauta do CEO, do CFO, da liderança da empresa. Se os executivos não comprarem a ideia, a reforma não vai funcionar. Não é uma mudança de obrigação fiscal ou de nota eletrônica; é uma transformação do negócio como um todo”, concluiu.



