Para Vitor Henrique, 16 anos, aluno de aprendizagem industrial básica no curso de Confeccionador de Calçados, em Igrejinha, “muitas das coisas que aprendemos no teórico não aparecem da mesma forma na prática. Eu sou uma pessoa que aprende muito fazendo, e aqui consigo perceber isso com mais clareza. Na feira, além de operar a máquina, a gente precisa lidar com o público e responder perguntas na hora, fazendo com que fixemos os conteúdos vistos em aula”.
Ao lado dele, a máquina de divisão opera em ritmo constante, afinando o couro que depois será dobrado e costurado nas etapas seguintes. O movimento exige precisão: milímetros a mais ou a menos interferem no acabamento. Em poucos metros de distância, estações de corte, montagem, colagem e revisão completam o ciclo. Cada posto revela uma especialidade diferente, compondo essa fábrica que, aos olhos do visitante, muitas vezes se resume ao produto pronto exposto na vitrine. É nesse percurso que os estudantes descobrem que o calçado vai além do desenho e da costura. Entre equipamentos e orientações técnicas, a cadeia produtiva deixa de ser conceito e se torna prática.
“Entrei no Senai porque queria aprender coisas novas. No final, vamos levar para toda a vida o que estamos aprendendo aqui na feira”, ressaltou Eduarda Decezere, 15 anos, aluna de aprendizagem industrial básica no curso de Confeccionador de Calçados, em Novo Hamburgo. Para ela, a principal diferença está na prática. “É desafiador porque a gente nunca fez isso antes. Aqui aprendemos muito mais fazendo”, disse.
A participação dos alunos na Fábrica Conceito tem um objetivo claro: colocá-los diante de uma vivência real de produção, conforme diz o instrutor Tiago Borba. “Aqui ele precisa aplicar o que aprendeu na teoria, produzir e ainda lidar com o público observando. Enquanto na unidade o aluno trabalha com poucos pares, na feira o ritmo se aproxima do de uma indústria, exigindo organização, precisão e constância”, explica.
Mesmo com apoio do corpo docente, o erro faz parte do processo. “Estamos falando de um trabalho manual e que existe o fator humano. Eles vão errar em algum momento, e está tudo certo. É assim que se aprende”, afirma. Para Borba, a experiência funciona como um “show ao vivo”, capaz de acelerar o amadurecimento profissional. “O calçado também é uma forma de arte”, finaliza.
Dos mil pares em produção 600, de modelo unissex, serão destinados à prefeitura de Novo Hamburgo, que distribuirá aos alunos da rede pública do município. Os outros 400 correspondem a botas femininas, sendo os modelos feitos em couro preto ou marrom. A unidade Senai de Estância Velha viabilizou o couro utilizado na confecção. Após a feira, as botas serão entregues à coordenação da Fimec, que fará a distribuição.





